Balanço 2019: Até mais, e obrigado pelos peixes.

Se quiser entender o que me fez chegar até aqui, leia esse post do final de 2018 e esse do meio de 2019. :)

2019 foi provavelmente o meu ano de MAIOR auto análise, (re)descoberta e aprendizado desde que decidi trabalhar como programador de computadores.

A minha descoberta, o que aprendi … eu tive essa epifania quando meu apelido nem era Hackin e pode ser forte pra muita gente que me conhece (talvez não) e conhece minha trajetória profissional dos últimos anos.

A gente em geral é empurrado pela sociedade, pelas pessoas, família, contas, consumo, mkt pessoal perverso e destrutivo para algo que somos bons, que fazemos bem e traz maior ROI para todos mas que nem sempre é nosso darma, nosso caminho verdadeiro. A vida não é uma perseguição eterna do ROI. As pessoas querem (ou precisam ou acham precisar) ser cada vez mais produtivas, ganhar cada vez mais dinheiro, serem cada vez mais famosas e adoradas a qual custo? Jim Carrey, Lady Gaga hoje pagam esse custo altíssimo. Robin Williams pagou. Depressão. Ícones em suas áreas, levados pra lá pelo que ele faziam muito bem, mas que de alguma forma viraram coisas que eles não querem mais.

Desde 2012, agora empresário e cheio de coisas para resolver, eu passei a ter outra coisa pra hackear: troquei os programas de computador por pessoas, problemas, contas, hierarquias e política. Logo eu, que sempre entreguei ouro em troca de espelhos, esmeraldas em troca de papel de pão.

Sim amigos, durante muitas vezes na vida passei, como muitos passam, por quadros de melancolia. Aquele sentimento de acordar bem de manhã e no meio da tarde a vida ficar uma merda e você tentar se arrastar até o final do dia com aquele sorriso falso. Afinal, nossa educação diz que "as pessoas não tem haver nem pagar pelos seus problemas" e que "deixe seus problemas em casa e não deixe isso atrapalhar seu trabalho".

Mas durante a maior parte do tempo, sempre fui autenticamente feliz.

Essa força motriz me fez enxergar que minha habilidade com computadores poderia me ajudar a resolver a vida das pessoas sem precisar de muitos recursos: um computador e eu poderia ajuda-las com programas de computador que economizariam tempo, dinheiro e no final das contas, vida.

Economizar vida.

Isso tudo perdeu muito do seu equilíbrio nos últimos 4 anos. Passei a ser gerente, passei a resolver mais e mais coisas. Em 2018, quando me vi responsável por substituir uma pessoa singular e juntar tudo que eu já fazia com o que tinha sido deixado pra trás, senti que meu corpo, do alto dos seus 37 anos, não aguentava mais essa carga de coisas que não fui feito para fazer de forma altruísta, de forma natural.

Em 2018 eu senti de verdade o burnout chegando (ou chegou e eu nem percebi).

Pensei comigo que 2018 seria um capítulo a parte e que 2019 seria brilhante para fazer o que eu gostaria de fazer e do jeito que eu gostaria.

Ganhei meu maior presente da minha vida recente, um filho. Mesmo assim, 2019 passou como aquele sopro de vento que entra pela janela que você escancara e derruba tudo na sala. 2019 fez doer as cicatrizes que eu carrego desde muito tempo, antes de tudo que se criou em volta de mim. Tenho uma história pessoal comum a muitas pessoas, que forjaram minha condução de vida e que em certo momento, em que não era mais preciso, continuou sendo meu manual de sobrevivência.

Então, numa daquelas sequências de acontecimentos felizes que aquela força superior (Deus, Alah, Buda ou qualquer manifestação cósmica ou religiosa em que você acredite) trás pra você, dei de cara com o Bhagavad Gītā (leitura maravilhosa pra qualquer pessoa), que estava no meu Kindle a anos (literalmente) e nunca tinha sido lido, e uma conversa com um amigo de longa data que me fizeram reviver um pouco aquela epifania.

Todas as vezes que eu resolvo algo, com minhas próprias mãos. Tudo faz mais sentido. Isso acontece quando escrevo, quando componho música, quanto toco guitarra, quando programo, quando faço café, quando troco uma torneira, faço algo de marcenaria. Minha busca sempre foi em resolver problemas manualmente.

Os últimos anos me arrastaram para algo em que eu nunca conseguia meter a mão para resolver: não por falta de oportunidade, mas pela minha doação completa à ajudar as pessoas. Elas sempre estão antes de mim e sempre fui (e acho que serei) de praticar com bondade e compaixão o que quer que seja, seja para quem for. Isso não é pagar de bonzinho: isso é simplesmente o que sou e as vezes sangro e sofro muito com isso.

Então, tomei uma das decisões mais complexas da minha vida, mas por outro lado talvez a mais sensata, cheia de significado e talvez mais desafiadora que teria para tirar.

Isso pode soar simplista, mas implica em muita coisa na minha vida, no que as pessoas enxergam em mim, no que as pessoas esperam de mim. Mais forte que isso: o que eu enxergo em mim e acho que as pessoas verdadeiramente enxergam em mim.

2020 será um ano de reconstrução e ambientação, muito desafio e novas fronteiras. Mais que isso, será um ano de re-encontro com tudo aquilo que eu não tinha mais contato antes, na parte boa e ruim.

Pode parecer um downgrade de carreira, mas sinto lá no fundo que eu pulei uma etapa importante na vida que eu vou concluir agora.

E para os que de alguma forma gostam de mim, me admiram seja lá pelo que for ou me acompanham simplesmente pela minha jornada profissional, deixo duas frases importantes que me ajudaram bastante e alguns insights que tive que viraram cicatrizes pra me lembrar de 2019.

Essa aconteceu no dia X …

Um trabalhador altruísta, desinteressado dos resultados de seu trabalho, porém alegre em simplesmente poder realizar a determinação da natureza, jamais perderá tal alegria. Aquele que, pelo contrário, trabalha somente pensando em apreciar os frutos de seu esforço, está condenado a uma alegria pobre e passageira. (2.41) — Anônimo. Bhagavad Gita: A sublime canção da Grande Índia . Textos para Reflexão. Edição do Kindle.

E essa aconteceu no dia X + 1, depois de longas conversas sobre a Vida, o Universo e tudo mais com meu amigo de longa data …

Cara, então o que te impede de fazer o que te deixa feliz? Porque não tenta uma vaga de programador? Você vai acabar unindo prazer com dever. :)

Depois disso e desse movimento que estou fazendo a cerca de três semanas.

  • Não tenha medo de dizer "eu desisto". As pessoas falham. Todas falham.
  • As pessoas que realmente se importam com você não irão te julgar, mas não confunda preocupação genuína com alguém indo contra você: ouça genuinamente também.
  • Nas palavras de um grande amigo "A vida é feita de fases". A gente tem que passar por elas. Quando sentir que você precisa, mude.
  • A gente se adapta à tudo sempre. Mudar traz suas dificuldades, mas também traz novas perspectivas e oportunidades pra resolver as coisas de outra forma
  • A vida é agora, não amanhã nem depois. Se apegar e açoitar-se num emprego ou coisa que você não gosta porque daqui a X anos você vai se aposentar assim é bad vibes.
  • Ouvi da minha psicóloga que a vida é feita de uma fase de construção e outra de manutenção, mas que a manutenção não deve ser confundida com inércia ou foda-se geral.
  • Aliás, se puder e estiver batendo pino, vá num profissional. Muita gente (família, amigos e afins) NUNCA vai entender, no geral, como você está se sentindo e como entender o que está acontecendo pra te dar uma orientação além de "isso passa", "vamo beber que isso passa", "isso é frescura" ou "você tem tudo na vida. Não faz sentido você estar assim". Não as culpe: elas simplesmente não entendem.
  • Burnout profissional é algo MUITO sério. Não deixe de procurar ajuda.
  • Veja mais as pessoas que você gosta. :)

É isso. :) ❤

Technology Whisperer, Casual Teacher and Speaker, Agile and Non-Harm-Productivity-Methodologies Enthusiast | Technical Lead @ Sallve.com.br

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